O pássaro
Um pássaro numa gaiola, canta e encanta...a gaiola assenta perto de uma janela. Lá fora outros pássaros voam alegremente, usufruem do ar nas suas asas, a experimentam a liberdade.
O pássaro numa gaiola, canta e encanta, e o no seu cárcere recebe toda a comida e água e todos os cuidados. O responsável pela sua vida é quem o alimenta...em troca pede-lhe que cante, que o ame, que o venere, afinal sem ele o pássaro não sobreviveria, pensa.
O pássaro, que canta e encanta, numa gaiola, vê os livres fazendo voos rasos ás flores, ar nas asas, sol nas penas, as suas patinhas nos galhos das árvore, mas asas dele atrofiam, as suas cores desvanecem, o seu cantar torna-se sem qualquer sentido. Mesmo assim, quem mantém cativo, pensa que o que está a fazer é Amor e em troca pede-lhe que o pássaro lhe dê o seu belo cantar, a sua vida, a sua total entrega e que se sinta feliz, pois dá-lhe tudo o que ele precisa excepto...a liberdade.
O apego é quem prende o pássaro, que não o deixa voar e mesmo assim dele espera as mais belas palavras, os mais belos actos de sacríficio, sem pensar que talvez o pássaro deseje outra realidade, porque no fim tudo lhe dá, até a sua pura afeição. É amor? Muitos acharão que sim, mas não seria o mais belo acto de amor, abrir a gaiola, perto da janela e deixar o pássaro escolher a sua própria felicidade?
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