O Não Sofrimento
Não Sofrimento é um torpor...é uma anestesia, um ensejo de não sofrer dor.
Procuramos e vivemos para o prazer imediato, ignorando a dor...
Ter mais e desejar mais não tapa o buraco que só uma busca interior minuciosa e corajosa faz.
Toma-se comprimidos para anestesiar a dor seja ela física ou mental...a ausência de sofrimento ou a ausência de sentir faz-se primente nos dias de hoje.
Cada vez a manifestação está no exterior , no que se mostra no que se têm em vez do que se conquista ou supera, pois estes ultimos envolvem sacrificio ou o sacro-oficio.
Não precisa a semente germinar e lançar as folhas aos sol, tendo para isso afastar a terra que a cobre? Não precisa de haver esforço para obter resultado? Todos concordarão que sim. Mas o medo de sofrer tolda-nos o raciocínio. Sim...mais que óbvio que o raciocinio/ discernimento e a presença consciente do "espiríto" são ferramentas para placar o medo de sofrer ou fazer sofrer...o conforto do certo e do conhecido contra o desconforto do que não se sabe.
O homem sempre se sentiu medo do futuro, sendo que o mesmo se faz no presente com as lições do passado.
Temos super poderes, somos humanos, o topo da hierarquia terrestre. Possuímos Inteligencia, consciência e com eles vem a capacidade de livre arbítrio e de fazer escolhas, mas o Não Sofrimento tolhe-nos com medo das consequências. Óbvio que temos de ter em conta que não somos ilhas e qualquer decisão acarreta danos colaterais que saem fora do nosso controle, mesmo que tenhamos feito o plano mais perfeito.
O Não Sofrimento assim, não passa de um véu que cobre a tua verdadeira existência e te impede uma busca mais profunda dos teus propósitos individuais. A própria sociedade se fores a ver, é orientada para que te mantenhas feliz e satisfeito, criando-te necessidades e desejos que colmatarás com o prazer imediato. Sim, posso afirmar então que o Não Sofrimento é o Prazer Imediato, a satisfação, que ajuda à dormência e à manutenção da ilusão.
Assim, a unica maneira de placar o Não Sofrimento é sentir a vida, mesmo quando esta doí. Viver não é facíl, mas sobreviver não é opção. Temos de desejar a plenitude da vida para que saibamos e darmos valor ao sacrificio e ao sofrimento pois são veiculos que nos permitem o processo da evolução. Tal como sementes, um dia colheremos a luz solar com as nossa folhagem não esquecendo que acima da pesada terra, outros perigos se encontram à espreita. Com isto quero dizer que mesmo atingindo um estado evolutivo mais avançado o sofrimento está sempre presente. Nós é que estamos diferentes na maneira que nos atinge. Diz Buda e dizem também outros filósofos e Mestres que o segredo está na via do meio.
A Via do Meio nos ensina a não ficar excessivamente felizes, nem excessivamente tristes com os acontecimentos da nossa vida. Procurar ser o fiel da balança. Tudo o que vivemos é uma Ilusão, ou Véu de Maya ou de Isis (a grande Mãe, Mater, Matéria) e tudo tem a sua validade, assim, tudo é mutavél e impermanente, devemos nós então saber que não existem estados permanentes de um momento para o outro tudo muda...nós mudamos...não ter medo da mudança pode levar-nos a sair da zona de conforto. Com isto não digo que não devemos de sentir, mas com o coração na Mente e com a Mente no Coração. Transformar a emoção em sentimento. Domar esses Cavalos selvagens que são a emoções e transformar em algo belo e duradoro. Podemos transformar a paixão quente e desenfreada por uma devoção e entrega pura e duradora.
Domar os instintos e os impulsos que nos vêm ainda do nosso processo animal, que se manifestam como Desejo, estar consciente e auto consciencializar esses impulsos em algo de qualidade e ter algum controle sobre as emoções...Saber querer até ao ponto de sublimar e conseguir dominar a própria mente e suprimir o desejo e dar lugar à Razão.
"Quando a Alma de liga ao corpo nasce a paixão, quando a alma se une ao espirito nasce a razão" podemos falar em Mental iluminado pelo intuicional. Não pelo mental/emocional (mente dos desejos) mas pelo mental/intuicional ou a voz da razão que muitas vezes se chama intuição mas tb pode ser vista como discernimento.
Então afirmo que o Não Sofrimento é a fuga institiva no refugio do desejo.
A renuncia ao desejo é o caminho da iluminação, o não desejar, criar expectativas é então assemelhar-nos à realidade Divina. Realidade Divina não quer dizer Deus, ou o Senhor de Barbas Brancas, mas sim à essência mais pura e mais pristina da nossa individualidade do que realmente é o processo da vida libertanto-nos dos Grilhões das ilusões e do mundo das sombras.
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